sábado, 28 de fevereiro de 2009

Um Guia para Especificação de Requisitos em Manutenção

Estou concluindo meu mestrado em ciência da computação na PUC-RS. Escrevi alguns textos no decorrer do curso que não foram inteiramente aproveitados na dissertação. Apresento aqui um desses textos onde eu faço uma relação entre grau de formalidade do processo de software e a necessidade de especificação com objetivo de se chegar a um balanceamento mais adequado entre os dois fatores.

Resumidamente o meu ponto é o seguinte: dependendo do contexto podemos ter um grau maior ou menor de formalismo em relação à especificação de requisitos. Baseado em minha experiência, acredito que a especificação de requisitos é necessária para QUALQUER PROJETO INDEPENDENTE DO TAMANHO. Para isso devemos adequá-la às exigências contratuais ou características do projeto tais como tamanho, lifespan do sistema, importância e risco do negócio. ISTO NÃO SIGNIFICA ESCREVER REQUISITOS EM PAPEL DE PÃO.

O problema é que a insegurança leva as pessoas à busca de subterfúgios como a incontinência verbal. Este é o ponto em que nascem documentos extensos e ilegíveis, portanto, inúteis. Cockburn fala muito bem ao dizer que o que dá valor a uma especificação não é sua extensão e sim sua acurácia. Isto exige um bom trabalho cognitivo que pode ser otimizado com uma certa dose de experiência. Por isso gosto desta citação do Pascal:


O texto é bem "academiquês" mas acho que a leitura pode ser proveitosa. Segue.




Um Guia para Especificação de Requisitos em Manutenção

Souza et al. [Souza:2005] reafirma o problema histórico de documentação de requisitos e software regidos tanto pelo modelo da Análise Estruturada como pelo modelo de Análise e Projeto Orientados a Objetos. Nesta seção será abordada a forma de especificação do Processo Unificado. O objetivo das próximas seções é descrever uma estrutura lógica fundamental de especificação de requisitos para reconstrução e na seqüência expor alguns critérios para seleção e balanceamento entre a abordagem do Processo Unificado e alguns métodos tradicionais.

A Especificação de Requisitos de Software no Processo Unificado RUP

Em sistemas legados, onde a documentação de projeto, requisitos e design possa estar comprometida, pode ser difícil a especificação de um ponto de partida para a redocumentação de um sistema. O estabelecimento de uma estrutura básica pode ser de grande valia para a dimuição da ansiedade da equipe durante a adoção de um processo novo[Kroll:2006] e, consequentemente, do tempo necessário para o início do projeto.

Neste sentido o RUP pode prover uma estrutura principal, orientada a casos de uso, que pode servir como base não somente para os esforços de restauração de requisitos como eventuais esforços na redocumentação de elementos de design e processamento. Para tanto o RUP provê um formato moderno de SRS [Leffingwell:1999, Kroll:2006].

Ao invés de se valer de um formato convencional de documento SRS, essa abordagem provê uma estrutura lógica de especificação no formato de um pacote de artefatos construídos a partir da visão do produto, conforme mostrado na figura a seguir.



O ponto de partida é o documento de visão contendo:

  • necessidades;
  • metas;
  • objetivos;
  • mercados alvo;
  • características do sistema.

Com a visão formada pode-se prosseguir com a especificação o pacote SRS. Este é formado através do balanço adequado entre modelagem orientada a casos de uso e técnicas tradicionais de especificação de requisitos. Apesar do foco do PU em casos de uso, há o espaço para abordagens tradicionais de especificação contempladas pelo artefato de Requisitos Suplementares[Kroll:2006].

Os Requisitos Suplementares são identificados seguindo-se o esquema FURPS+ de classificação de requisitos. O nome do esquema é um acrônimo para:

  • Functionality (Funcionalidade): requisitos funcionais;
  • Usability (Usabilidade): fatores humanos como facilidade de uso do sistema;
  • Reliability (Confiabilidade): a habilidade de conservação das funções do sistema sob condições normais de operação;
  • Performance (Desempenho): quantidade de trabalho realizado pelo sistema em relação ao tempo e recursos consumidos;
  • Supportability (Sustentabilidade): habilidade da equipe técnica em instalar, configurar e monitorar produtos de software;
  • + (símbolo “mais"): demais requisitos não funcionais como restrições de design, restrições de implementação, restrições de interface e restrições físicas.

A orientação a casos de uso do RUP faz parte de um conceito maior de especificação de arquitetura de software[Kruchten:1995, Kruchten:2001, Kruchten:2003]. Dadas as necessidades de diferentes perfis de stakeholders que o projeto de software deve atender, usa uma abordagem de pontos de vista para separar aspectos do software de acordo com o interesse do stakeholder. Esse é o modelo 4+1 de arquitetura de software, visto na figura a seguir.



As visões do modelo 4+1 são a lógica, processos, implementação e implantação, cada qual com objetivo e público específicos. No entanto a visão que une as demais perspectivas é a visão de caso de uso, cujo objetvo é capturar os requisitos mais significativos na forma de casos de uso ou partes de casos de uso que têm grande impacto na arquitetura do software, bem como os demais requisitos não funcionais.

Equilíbrio entre abordagens orientadas a caso de uso e abordagens tradicionais de requisitos

Há divergências na comunidade de requisitos a respeito da abrangencia da modelagem de requisitos em casos de uso. Segundo autores como Wiegers e Davis [Davis:2005, Wiegers:2003, Wiegers:2006], casos de uso não substituem requisitos funcionais especificados em um modelo de SRS convencional. Wiegers ainda aponta que há uma impedância na acomodação de requisitos não funcionais entre casos de uso do PU e na documentação de Requisitos Suplementares.

Neste sentido estes autores afirmam preferir o uso de casos de uso como um meio para se chegar a especificação de requisitos baseada em listas semi-estruturadas.

No entanto há esforços para a adoção de abordagens híbridas de especificação e modelagem[Kroll:2006, Ambler:Primer:2004]. Wiegers afirma ainda que casos de uso sofrem limitações quanto a natureza do projeto, principalmente quando a complexidade do sistema não se estabelece nas interações entre sistema e usuário e sim em camadas mais profundas de sistemas tais como:

  • data warehouses;
  • processamento em lote (batch);
  • hardware com software de controle embarcado;
  • aplicações de computação intensiva.

Leffingwell propõe a adoção de casos de uso ou especificações tradicionais seguindo critérios baseados nas características da equipe e do projeto. Estes critérios são mostrados na tabela abaixo (clique para expandir).




Cerimônia de um Processo de Software

Cada processo de software como o PU e derivações bem como processos ágeis como Extremme Programing (XP) e Scrum podem ser comparados em um mapa de processos [Kroll:2006, Kruchten:2003, Larman:2003]. Este mapa é um plano composto das dimensões:

  • Pouca Cerimônia (Low Cerimony)/Muita Cerimônia (High Cerimony): no eixo horizontal. A Pouca Cerimônia produz documentação mínima e possui pouco formalismo; Muita Cerimônia produz documentação abrangente e alta rastreabilidade entre artefatos, também conhecido como peso do método.
  • Cascata (Waterfal)/Iterativo(Iterative): no eixo vertical. Cascata é uma abordagem linear do Processo de Software com integração e testes tardios; Iterativo é uma abordagem orientada a riscos com adoção de uma arquitetura e testes antecipados.




A Figura acima mostra três possíveis configurações do RUP no mapa de processos de Kroll, onde a iteratividade é o fator pervasivo. O grau de formalismo de cada processo é evidenciado pelo deslocamento lateral de cada configuração. O OpenUP/Basic pode ser considerado uma configuração análoga à Light RUP Configuration da figura. A localização de uma configuração no mapa pode ajudar na sua adequação do PS frente às características e necessidades de um SI ou organização. Na próxima seção serão abordados alguns aspectos para a o balanceamento adequado da especificação de requisitos.

Abordagens "Suficientemente Boas" para Especificação e Modelagem de Requisitos e a Redocumentação

Frente aos problemas de domínios dinâmicos e requisitos voláteis, movimentos baseados em metodologias ágeis têm-se firmado nos últimos anos. De movimentos mais contundentes, como o Extreme Programming, onde o peso do processo foi preterido em favor da informalidade veio a necessidade de se estabelecer um maior balanço entre o peso do processo, a carga de produção dos subprodutos de um software (como documentação, de requisitos ou técnica) e a entrega do sistema em si [Rosenberg:2003, Kroll:2006].

Neste sentido um tema recorrente a literatura é o balanceamento entre a agilidade e a disciplina de um determinado método. Estas abordagens podem ser referidas como “suficientemente boas" (good enough) e têm como valor a adequação e dimensionamento das práticas do processo de software frente às características específicas do software em desenvolvimento.

Neste sentido, Davis[Davis:2005] afirma que o cronograma do projeto deve ser considerado um fator importante para a definição do tempo gasto em requisitos. Um fator que pode servir como contrapeso em relação ao cronograma é o risco, mudando assim o nível de formalismo necessário para o desenvolvimento do produto.

Ambler [Ambler:Primer:2004] propõe a metodologia Modelagem Ágil (Agile Modeling) com o objetivo de oferecer um guia para viabilização da modelagem de um sistema guiada por valores, princípios e práticas que susbsidiem o uso de modelos com pouco grau de cerimônia. Estas práticas contemplam a modelagem e especificação de requisitos na forma de modelagem de utilização, prototipação de interface do usuário e especificação de requisitos suplementares. Ambler compara sua abordagem sobre documentação a “viajar com pouco peso" (traveling light), onde modelos e documentos são criados de forma “suficientemente boa" para prosseguir o desenvolvimento.

O trabalho de Ambler é corroborado por [Rüping:2003], que afirma que pouca documentação, mas "suficiente", é mais acessível e portanto mais útil para uma equipe do que muita documentação. Rüping preconiza que o valor da documentação está associado à concisão e sua acessibilidade frente aos leitores e propõe que a utilidade da documentação, a partir de certa quantidade, tende a diminuir, como mostrado na figura abaixo. Um fator importante para manter a documentação útil é seu nível de abstração (princípio adotado tanto pelo OpenUP [Kroll:2006] como pelo método de gerência de [Bittner:2006]): detalhes tendem a mudar mais rapidamente que a documentação portanto são melhor comunicados informalmente.



Um fator que serve de “contrapeso" para a decisão sobre a forma de documentação em relação ao princípio traveling light são as informações necessárias para os esforços de manutenção do sistema[Larman:2003, Highsmith:2002]. Larman recomenda que a necessidade seja utilizada como critério para balanço ao invés de especular-se a respeito da documentação, assim uma equipe mantenedora pode tornar-se fonte de informações valiosas a respeito das necessidades de documentação.

O esforço despendido no balanço da documentação torna-se especialmente relevante no contexto de redocumentação[Yang:2003] de um produto de software num processo de Engenharia Reversa. Deve-se levar em conta que à medida do avanço na recuperação de artefatos de requisitos, o sistema legado está sendo submetido à mesma carga de requisições de mudanças característica do domínio dinâmico. Neste sentido a acurácia da documentação [Cockburn:2001] é um quesito imperativo.

Casos de Uso como Ponto de Partida para Modelagem e Especificação de Requisitos

O ponto de partida para o balanço dos requisitos tomado neste trabalho são os Casos de Uso. Apesar das críticas às limitaçõesde Casos de Uso como modelos efetivos para documentação dos requisitos de um sistema [Fortuna:2005, Wiegers:2006, Davis:2005], no contexto de sistemas legados onde a documentação, sobretudo a de requisitos, é precária.

A estratégia para início da reconstrução dos requisitos de um sistema nestas condições é valer-se do comportamento externo do sistema para a descrição do sistema. Assim, a perspectiva do usuário torna-se mais valiosa para a formação de um referencial comum entre a equipe mantenedora e o usuário formando a estrutura de ligação do projeto [Cockburn:2001]. A abordagem de cenários e a modelagem da utilização do sistema[Ambler:Primer:2004, Kroll:2006] têm sua importância aumentada uma vez que a documentação pertinente aos demais aspectos do software como design e requisitos funcionais pode encontrar-se completamente perdida[Souza:2005].

Apesar dos debates entre defensores de abordagens orientadas a objetivos e cenários[Fortuna:2005], alternativas para composição de objetivos, cenários e casos de uso podem ser encontrada com o emprego de abordagens de Cockburn e Ambler. Cockburn propões a estratificação do conjunto de casos de uso em níveis: sumário, objetivos e subfunções em um esquema de padrão de caso de uso chamado EverUnfoldingStory, ou desdobramento contínuo da história[Cockburn:2002]. Ambler utiliza a abordagem de Casos de Usos Essenciais onde estes têm por função capturar os objetivos do usuário e declará-los de forma mais suscinta que um caso de uso convencional, ou como Ambler chama “de Sistema"[Ambler:Primer:2004]. Em ambas a orientação para a estruturação dos cenários em torno de um objetivo de negócio maior é continuamente enfatizada.

Enriquecimento de Requisitos no Contexto de Redocumentação

A questão de balanço entre utilidade e tamanho da documentação recuperado pode ser atingida através da adoção dos Casos de Uso como estrutura de ligação do projeto [Cockburn:2001]. Para o posterior enriquecimento dinâmico dos requisitos recuperados via Casos de Uso mantendo a qualidade e utilidade da documentação pode-se observar do princípio “Múltiplos Modelos" da Modelagem Ágil[Ambler:Primer:2004] e o emprego do Padrão de Caso de Uso “Adornos" (Adornments) [Cockburn:2002].

Casos de Uso, a medida de sua evolução podem se tornar pesados, portanto menos úteis, caso sejam complementados com requisitos não-funcionais, assim o uso de requisitos suplementares torna-se relevante para manter o valor do Caso de Uso quanto a concisão e acesso. Um esquema do padrão Adornos de Cockburn pode ser visto na figura abaixo, onde pode-se observar a ligação entre especificações de interfaces de usuário, requisitos de performance, dicionário de dados, regras de negócio e restrições e o Caso de Uso.




Sistemas legados podem encontrar-se desenvolvidos em tecnologias ou paradigmas que são anteriores as propostas de métodos como a família do PU ou Modelagem Ágil. Neste cenário determinados modelos, como os propostos pela UML, podem não ser adequados para o esforço de documentação do sistema. Ambler faz um discernimento entre os conceitos de modelagem e modelagem visual, considerando importante também o emprego de modelos textuais e afirma que cada modelo tem um propósito específico daí a necessidade do princípio "Múltiplos Modelos": utilizar uma técnica adequada a cada situação. Sendo assim a estruturação dos modelos de requisitos para um projeto de manutenção torna-se uma atividade importante para adequação da estrutura de artefatos utilizada para recuperação dos requisitos.

Afora a importância da se utilização do modelo correto, ressalta-se a importância do uso de artefatos (podendo estes ser decorrentes de modelos) como registro do trabalho da equipe e como veículo de transmissão de conhecimento sobre o projeto[Bittner:2006]. Artefatos devem ser produzidos para mitigar riscos do projeto ou para satisfazer alguma abordagem de desenvolvimento, bem como o grau de formalismo demandado, de um quadro branco, como na Modelagem Ágil, como pelo uso de ferramentas de software específicas. Deve-se observar os riscos da produção de artefatos sem o devido entendimento do porquê este está sendo trabalhado. O uso de um artefato apenas por este ser definido no processo sem o entendimento de seu propósito pode levar a uma explosão de artefatos. O autor sugere o emprego de uma Matriz de Artefatos contendo os artefatos produzidos pelo projeto e seu uso em fases e iterações no PU.

Referências


[Ambler:Primer:2004] Scott Ambler. The Object Primer. Cambridge University Press, 3rd edition, 2004.

[Bittner:2006] Kurt Bittner and Ian Spence. Managing Iterative Software Development
Projects. Addison Wesley Professional, 2006.

[
Cockburn:2001] Alistair Cockburn. Writing Effective Use Cases. Addison-Wesley, 2001.

[Cockburn:2002] Steve Adolph, Paul Bramble, Alistair Cockburn, and Andy Pols. Patterns for
Effective Use Cases. Addison-Wesley, 2002.

[Davis:2005] Alan M. Davis. Just Enough Requirements Management. Dorset House, 2005.

[Fortuna:2005] Michel Heluey Fortuna and Marcos R. S. Borges. Modelagem informacional
de requisitos. In WER, pages 269280, 2005.

[
Highsmith:2002] Jim Highsmith. Agile software development ecosystems. Addison-Wesley
Longman Publishing Co., Inc., Boston, MA, USA, 2002.

[Kroll:2006] Per Kroll and Bruce MacIsaac. Agility and Discipline Made Easy: Practices
from OpenUP and RUP. Addison Wesley, 2006.

[Kruchen:1995] Philippe Kruchten. The 4+1 view model of architecture. IEEE Software,
12(6):42-50, 1995.

[Kruchten:2001] Philippe Kruchten. The Rational Unied Process An Introduction. Addison
Wesley, second edition edition, 2001.

[Kruchen:2003] Per Kroll and Philippe Kruchten. The Rational Unied Process Made Easy:
A Practitioner's Guide to the RUP. Addison Wesley, 2003.

[Larman:2003] Craig Larman. Agile and Iterative Development: A Manager's Guide. Addison
Wesley, 2003.

[Leffingwell:1999] Dean Lefingwell and Don Widrig. Managing Software Requirements - An
Unied Approach. Addison Wesley, 1999.

[Rosenberg:2003] Matt Stephens and Doug Rosenberg. Extreme Programming Refactored: The
Case Against XP. Apress, 2003.

[Rüping:2003] Andreas Rüping. Agile documentation : a pattern guide to producing
lightweight documents for software projects. John Wiley & Sons, 2003.

[Souza:2005] Souza, Nicolas Anquetil, and Kathia M. de Oliveira. A study of the
documentation essential to software maintenance. In SIGDOC '05: Proceedings
of the 23rd annual international conference on Design of communication ,
pages 68-75, New York, NY, USA, 2005. ACM Press.

[Wiegers:2003] Karl E. Wiegers. Software Requirements. Microsoft Press, 2nd edition, 2003.

[Wiegers:2006] Karl E. Wiegers. More About Software Requirements: Thorny Issues and

[Yang:2003] Hongji Yang and Martin Ward. Successful Evolution of Software Systems.



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Padrões de Gerência de Configuração com Subversion 1.5 - Parte I: Conceitos

Padrões são uma constante em Engenharia de Software há pelo menos 14 anos. Não digo nenhuma novidade agora ao afirmar que o trabalho seminal sobre padrões foi o GoF. E que este foi inspirado no trabalho do arquiteto Christopher Alexander na década de 70. Já faz parte do evangelho.

Talvez o que escape ao "senso comum" seja a explosão de patterns através das disciplinas da Engenharia de Software. Alguns exemplos são Análise, Implementação, Modelagem de Dados, Desenvolvimento de Aplicações Corporativas, Integração de Aplicações Corporativas, Arquitetura de Software, Requisitos, Casos de Uso, Modelagem de Negócio, e Documentação.



Quando me vi às voltas da gerência de configuração pela primeira vez, decidi adotar uma abordagem mais pragmática. Ao invés de me inteirar e cair de cabeça na disciplina de gerência de configuracão como um li lateralmente (skimming) alguns livros de SCM. Depois resolvi me guiar por dois livros específicos, primeiramente o livro de Padrões de Configuração Software Configuration Patterns e depois para implantação do Subversion como servidor SCM me guiei pelo livro Pragmatic Configuration Management with Subversion, 2nd. ed. Hoje as soluções implementadas de acordo com estes dois guias estão rodando com sucesso.

Pretendo escrever um arco de 3 posts. Aqui vou explorar Padrões de Gerência de Configuração. No segundo, pretendo escolher determinados cenários e mostrar quais são os patterns adequados para resolução dos problemas. Por fim mostrarei como implementá-los em um sistema de controle de versão, mais especificamente o Subversion 1.5.

Software Configuration Management - Gerência de Configuração de Software em uma Casca de Noz

Gerência de Configuração diz respeito à configuração, identificação, controle de configuração, prestação de contas, revisão, gerenciamento de build, gerenciamento de processo e trabalho em grupo. Estas práticas definem como uma organização contrói e lança produtos bem como identifica e rastreia mudanças.

Em termos mais simples SCM é a função de rastrear e controlar mudanças em um software. Podemos exemplificar o objetivo da SCM com a seguinte pergunta: "Alguém fez alguma coisa, como posso reproduzi-la?".

A SCM atende esta pergunta através do estabelecimento de práticas como, por exemplo, controle de revisões e baselines.

Controle de revisão trata do gerenciamento de múltiplas revisões de um determinado artefato, como documento ou arquivo de fonte. A intenção é fazer com que as mudanças em um determinado arquivo sob controle de versão (chamado de item de configuração) sejam armazenadas a medida que o usuário for atualizando o arquivo possibilitando a reprodução gradativa das mudanças.

Uma baseline é uma marcação que identifica um certo estado significativo dentro de um conjunto de mudanças realizadas em um histórico de revisões. Um estado significativo em desenvolvimento de software é a aprovação de um conjunto de revisões de um determinado grupo de itens de configuração.

Alguns conceitos importantes para a SCM são workspaces e codelines.

Uma workspace (não confundir com a workspace do IDE como o Eclipse) é um local, como um diretório na estação de trabalho, onde o desenvolvedor mantém todos artefatos necessários para a conclusão de uma tarefa. A workspace é uma cópia associada a uma versão específica dos artefatos.

Uma codeline é a progressão de um conjunto de arquivos referente às mudanças atribuídas ao software no decorrer do tempo. Cada mudança cria uma nova revisão de um determinado artefato.

Em um determinado ponto do tempo, uma codeline pode conter um conjunto de várias revisões de cada componente gerenciado como item de configuração.

Quando determinadas tarefas divergem do propósito original de uma codeline, pode haver a necessidade de se bifurcar um codeline produzindo duas concorrentes. Isto permite a evolução indepente de um determinado item de configuração. Esta operação é chamada de branch (ou ramificação, não sei como os teóricos traduzem nestes dias...). Uma mudança de propósito pode ser a aproximação da release 2 do software, enquanto o trabalho para a release 3 não pode ser retardado por questões de cronograma.

Supondo que a release foi efetuada, ocorre a necessidade de incorporar as mudanças da release 2.1 e 2.2 na release 3. Isto pode ser feito através de uma operação de merge (ou mescla) das modificações do branch da release 2 de volta à codeline principal do produto.

SCM Patterns


Padrões de Gerência de Configuração foram organizados originalmente por Stephen P. Berczuk e Brad Appleton no livro Software Configuration Management Patterns: Effective Teamwork, Practical Integration (também são catalogados no site SCM Patterns for Agility).

Patterns são boas soluções para problemas recorrentes dentro de um determinado contexto (no caso SCM). É uma espécie de reuso de idéias, a grosso modo, uma receita de bolo. Um pattern é o empacotamento de um conhecimento útil para a resolução de problemas num contexto.

Um pattern pode ser organizado dentro de um contexto mairo através de uma pattern language. Uma pattern language é a forma de disposição das soluções (isto é, os patterns individuais) em um contexto onde já há outras soluções implementadas.

Um pattern é especificado sob a forma de um template específico para o contexto de sua aplicação. Em SCM temos os seguintes componentes no template:

  • Título
  • Ilustração
  • Contexto
  • Problema
  • Descrição detalhada do problema
  • Solução
  • Descrição detalhada da solução
  • Questões em aberto
Classificação de SCM Patterns

Um SCM Pattern é classificado como um padrão de Codeline ou padrão de Workspace, indicando sua aplicabilidade mais adequada. No mapa da SCM Pattern Language podemos identificar o relacionamento dos Patterns em relação a outros para compor uma solução mais abrangente. Em destaque vermelho podemos ver os patterns referentes à codeline. Em verde, os patterns cabíveis ao contexto de workspace.

Segue uma breve descrição dos SCM Patterns e sua aplicabilidade por categoria.

Padrões de Codeline

  • Mainline (Linha Principal): Minimizar merges e manter o número de linhas de código ativo gerenciável pelo desenvolvimento sobre uma Mainline.
  • Active Development Line (Linha de Desenvolvimento Ativo): Manter uma codeline em rápida evolução suficientemente estável para ser usável pela criação de uma Active Development Line.
  • Release Line (Linha de Release): Manter versões entregues sem que estas interfiram no desenvolvimento atual pelo estabelecimento de uma Release Line.
  • Private Versions (Versões Privadas): Usar Private Versions para habilitar experimentos com mudanças complexas localmente, ao mesmo passo que seja possível usufruir das features de um sistema de controle de versão.
  • Task Branch (Branch de Tarefa): Manter parte da quipe executando tarefas disruptivas sem forçar que o resto da equipe trabalhe em torno destas pelo uso de um Task Branch.
  • Release Prep-Codeline (Codeline de Preparação de Release):
  • Codeline Policy (Política de Codeline): Criar uma Codeline Policy para ajudar os desenvolvedores a decidir quando realizar o check-in de código para uma codeline e quais os procedimentos seguir antes de realizar o check-in em cada codeline.

Padrões de Workspace

  • Private Workspace (Workspace Privada): Prevenir que problemas de integração afetem o seu desenvolvimento e que suas mudanças causem outros problemas através da Private Workspace.
  • Integration Build (Build de Integração): Garantir que sua base de código senore seja construída de forma confiável pela execução periódica de um Integration Build.
  • Repository (Repositório): Configurar uma nova workspace populando-a a partir de um Repository contendo tudo que você precisa.
  • Private System Build (Build Privado do Sistema): Verificar se suas mudanças não irão quebrar o build pela execução de Private System Build antes de commitar mudanças para o repositório.
  • Smoke Test (Teste de Fumaça): Assegurar que o sistema ainda funciona após uma mudança através da execução de um Smoke Test.
  • Unit Test (Teste unitário): Verificar que o módulo ainda funciona após uma mudança pela execução de um Unit Test.
  • Regression Test (Teste de Regressão): Assegurar que o código existente não se degrade a media que você faça novas melhorias pela execução de um Regression Test.
  • Task Level Commit (Commit de Nível de Tarefa): Organize mudanças no código-fonte através unidades de trabalho orentadas a tarefas e submeta mudanças como um Task level Commit.
  • Third Party Codeline (Codeline de Terceiros): Gerencia código de fornecedores pelo uso de uma Third Party Codeline.
Um cartão de referência dos SCM patterns pode ser encontrado (inclusive com o mapa da pattern language) aqui.

Conclusão

Aqui fiz uma breve revisão sobre alguns conceitos de SCM Patterns. Iniciei com alguns conceitos básicos sobre SCM e descorri sobre os padrões definidos pelo Appleton e pelo Berczuk. Estes padrões já apliquei com sucesso em dois grandes sistemas, um legado onde não havia política de gerência de configuração e outro grande conjunto de sistemas federados iniciado do zero. Em ambos os casos os padrões se demonstraram muito eficientes para atender tanto na manutenção de um sistema como no desenvolvimento de outro.

Requisitos: A Disciplina "Ágil" Esquecida II

Após um "breve" hiato de 5 meses, cá estou. Não gosto de falar sobre futurologia do passado principalmente no que se refere ao meu trabalho, mas estou continuando um post que estava em rascunho de 17/09/2008. Vou concluir este trabalho abaixo e depois tentar dar continuidade frente a alguns fatos novos ocorridos nas últimas semanas.

Segue o "original".

No contexto de Engenharia de Processos em Software acredito que estejamos vivendo em um movimento pendular entre níveis de formalismo e agilidade. De um lado temos o que foi confortavelmente rotulado de "tradicional" pela liderança da comunidade ágil (um mix dos estratagemas de Schopenhauer números 12 e 19), do outro lado temos tudo que é bom, belo, justo e providencial regido sob os auspícios do manifesto ágil.

Qual o problema? O problema é justamente o seguinte: praticamente tudo o que é passível de adoção pela comunidade ágil é uma aceitação a priori da verdade de temas sem que uma avaliação crítica honesta seja feita por seus membros. Estes temas (ou variações menores sobre o mesmo tema) são propagados como rastilho de pólvora e aceitos (take for granted) sem contestação. Na velocidade do blogosfera é praticamente impossível avaliar criteriosamente o que blogueiros postam, fazendo com que o valor potencial da informação de fontes primárias seja prejudicado.

Um exemplo do prejuízo causado pela falta de contextualização histórica e análise crítica é justamente a presunção de achar que todos os benefícios do desenvolvimento de sistemas moderno é derivado das práticas ágeis. Trocando em miúdos, o mundo começou com o manifesto ágil, com o Scrum e com o XP.

Várias práticas efetivas dos "métodos ágeis" não foram uma invenção originária dos luminares dos métodos ágeis. Bem da verdade várias práticas "ágeis" já eram adotadas até dez anos (ou mais) antes do manifesto ágil (olhem McConnell). As práticas se tornaram cool apenas pelo rebranding.

Neste cenário quem é diretamente prejudicado? Esta é a deixa do nosso desenvolvedor Joe Six-pack. O Joe é um cara ocupado. Entrou para informática para desenvolver jogos, mas acabou se tornando um programador comercial.

Joe trabalha numa empresa onde a TI está em sua adolescência ainda. A TI não trabalha mais com sistemas meio e sim na própria atividade fim da empresa. A atividade fim, ao contrário de uma folha de pagamento ou sistema de manutenção, deve se adaptar ao mercado. Se os sistemas não se adaptam, a empresa simplesmente é engolida pelo mercado.

Com o peso de sistemas "fim" sob seus ombros, Joe não tem benefício da reflexão devido às pressões do ambiente. Joe tem que entregar. Joe já tentou uma série de metodologias para tentar se adaptar melhor ao ambiente, mas falhou em todas, por diversas razões: falta de buy-in da gerência, falta de priorização da diretoria e, principalmente, a falta de um plano de melhoria contínua, o que na administração é chamado de PDCA.

Joe, já desistindo completamente do processo de software (afinal o que não tem solução, solucionado está) houve falar de uma nova tendência de mercado, um tal de movimento ágil. Nele simplificamos as coisas (afinal é o que os blogueiros dizem) : não desenvolvemos documentação, aliás podemos até queimar a documentação, afinal o usuário sempre estará por perto para dar uma dica; não nos preocupamos em refletir sobre o que construir, afinal tudo muda tão rápido que é mais fácil construir primeiro e perguntar para o usuário depois, afinal já temos um lembrete na parede sobre o que devemos construir, qualquer dúvida, o usuário está lá.

A maior baixa neste fogo cruzado foi justamente a Engenharia de Requisitos, alvo do atrelamento infundado de grandes mitificações. Requisitos não são software em funcionamento, requisitos são um calhamaço de documentos do Word que podem ser jogados fora assim que o software estiver rodando, afinal para que requisitos escritos enquanto testes de software são "requisitos vivos".

Finalmente Joe achou alguma coisa valiosa. Tentou gerenciar a complexidade de desenvolvimento com processos prescritivos e não conseguiu, agora está mais tranquilo. Afinal ele já sabe nada o que foi feito antes chegou a funcionar algum dia.

Voltei

É claro que isto é apenas uma alegoria. Super simplificação? Com certeza, não tenho aspirações a fazer uma tese neste blog. Muito menos tenho a pretensão de expor A VERDADE em poucas linhas.

Agora retomo o assunto nos próximos posts.


terça-feira, 16 de setembro de 2008

Requisitos: A Disciplina "Ágil" Esquecida I

Ser Ágil é fantástico.

Eu também quero ser ágil.

Sendo ágil vou conseguir aquele emprego bala na DELL ou na HP. Sendo ágil vou ter um monte de assunto para postar na minha lista de discussão. Sendo ágil vou ter assunto para blogar ad nauseam toneladas de non-sense magicamente validadas pela prefixação ou posfixação do adjetivo "Agile".

Sim. Estamos vivendo um hype. Mais um. A maior vítima deste hype acredito que seja o famoso Joe Six-pack (o nosso "Zé povinho"). O desenvolvedor, o testador e o analista medianos sem muito acesso a informação de qualidade ou mesmo sem muito embasamento crítico para separar o joio do trigo. E como, se isto já não bastasse, afogado em um mar de blogs, mail-lists, revistas técnicas e consultores. Ou seja a maioria de nós. E, ia me esquecendo, as organizações que pagam nossos salários.

É um problema razoavelmente complicado de se lidar. Como já falei anteriormente é muito fácil expressar uma opinião (e atingir seus 15 acessos únicos de fama) . Basta se logar no blogger e fazer um post do gênero testei-uma-feature-duca-da-metodologia-ágil-X-e-funcionou-que-uma-beleza-portanto-todos-deveriam-estar-utilizando-aliás-li-no-blog-do-fulaninho-que-o-RUP-é-cascata-e-não-sei-como-alguém-pode-usar-esta-naba. Ponho um bait no visão ágil ou no java free e pronto: estou a um passo do estrelato blogosférico. Quero dizer com isto que temos que ser mais criteriosos ao conteúdo que lemos na web.

Alguns anos atrás quando passávamos por um movimento em um extremo do ciclo, fomos brindados com o XP. Em paralelo à introdução deste movimento, estávamos vivendo o hype do RUP. E a semente para a mixórdia dos métodos ágeis estava plantada. Várias práticas se tornaram magicamente ágeis aos ventos do hype: desenvolvimento iterativo, integração contínua, refatoração contínua e design emergente, TDD, Pair Programming sem comprovação alguma que não seja a palavra do consultor "ágil". Mesmo que boa parte destas já tenha sido desenvolvida anos antes, mesmo que outras atualmente já não se mantenham em pé por si só à luz de provas empíricas.

No pico deste hype práticas foram condenadas a priori. Jogadas na vala comum junto com outros conceitos "novos obsoletos" também engolidos pela onda "ágil". Eliminar uma disciplina da Engenharia de Software das práticas de desenvolvimento por falta de conhecimento não significa que o problema deixou de existir. Substituir as funções desempenhadas pelas práticas previstas por esta disciplina pelo seu simulacro não quer dizer que se atingiu a maestria no desenvolvimento de software.

Chego ao ponto. Nesta mixórdia toda sobre métodos ágeis, venho dizer qual prática efetivamente ágil foi esquecida: Engenharia de Requisitos.

Esta é a deixa dos zelotes ágeis: "Mas como?!? Desde quando?!? Requisitos!??!?! Pilotar Word não pode!!!! E o manifesto ágil?!?".

Bom, este post já ficou grande demais. Fiquei só na síntese do contexto histórico. Continuo na seqüência.

Hasta.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Sim Estamos no meio de um Hype

Definitivamente estamos vivendo mais um hype em TI.

Apenas mais uma evidência fortíssima: artigo no InfoQ sobre métodos ágeis na escrita de livros. Segue:



O Per Kroll (do OpenUP) fez um processo de interação semelhante com os co-autores, revisores e editores e não o chamou Agile Writing.

Qualquer livro sobre escrita de textos técnicos diria para se partir de uma tese principal (a resposta ao problema que o livro pretende resolver), fazer um outline dos argumentos principais e depois escrever o conteúdo. Abaixo tem algumas referências sobre o método.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

The Agile Ostrich Development Method Development Method

Como Andy Warhol preconizou, todos têm direito a seus 15 minutos de fama. Hoje, através da blogosfera, conseguimos atingir a institucionalização dos 15 minutos para as massas.

Não que eu considere Warhol. Para mim, contestação pseudo-aforística baseada apenas em devaneios pessoais, sem embasamento (não necessariamente empíricos, mas também racionalistas) valem tanto quanto um churrio intelectual. A blogosfera é um ambiente propício para isso, onde pálidos arremedos de empirismo são declarados como verdade prontamente generalizável.

Um filósofo brasileiro, talvez o único legítimo na nossa atualidade diz que as pessoas não deveriam esperar ser ouvidas sobre um determinado assunto por mais tempo que se dedicaram a estudar ou refletir sobre o tema. É um argumento objetivo, apesar do caos mental em que as pessoas andam imersas atualmente onde referenciais, se muito, entram em obsolescência em uma velocidade maior do que a maioria das pessoas consegue lidar.

Técnicos (bem como profissionais em alguma pos) gostam de ouvir a própria voz. É uma questão de Ego (um dia exponho a Teoria do Hamsterismo em Profissionais de TI, desenvolvida por um camarada meu desenvolvedor e dublê de psicólogo). Teorias são prontamente formadas baseadas em crenças, medos, preconceitos e observação enviesada do micro-ambiente circundante ao observador.

Neste sentido, deixo uma proposta anedótica de um meta-metodologia para desenvolvimento de software (não tão desenvolvida quanto o Glacial Methodology) ágil. Baseada unicamente na minha experiência ao analisar o comportamento das pessoas. Ela é absurdamente simples. É baseada unicamente pelo amálgama do buzzword oriented development com o comportamento clássico de pessoas avessas a mudanças (ou não muito dadas ao rompimento com o cordão umbilical de sua zona de conforto).

Eu chamo de Meta Agile Ostrich Development (MAOD). Segue:

  1. Devemos analisar nosso ambiente;
  2. Devemos ignorar completamente 40 anos de avanços em Engenharia de Software;
  3. Empiricamente ("" como diria Dr. Evil) devemos analisar o ambiente sócio-técnico de estudo;
  4. Formulamos uma hipótese pseudo-aforística, por exemplo: "vamos queimar a documentação de requisitos do software e elevar testes de software ao status de especificação" que aparentemente elimine a necessidade de tal burocracia passe a ser lei;
  5. Indo de encontra todos os fundamentos da honestidade intelectual, elevamos a hipótese unicamente baseada em nossas crenças ao nível de imperativo categórico;
  6. Insituimos a generalização e aplicabilidade do nosso modelo de forma ampla e irrestrita;
  7. Criamos um post no blog;
  8. Ficamos a espera de um feedback da comunidade que corrobore nosso sentimento auto-indulgente e rebatemos críticas ao estilo Groucho Marx: "Em quem você vai acreditar: em mim ou nos seus olhos?".
Este método de raciocínio orientado ao umbigo é parecido tem um modelo paralelo encontrado na natureza: é o comportamento do avestruz (ostrich). Para fazer uma análise adequada e rigorosa do ambiente basta enfiarmos a cabeça na areia (Ok, é um mito, mas vale como metáfora).

A buzzword do momento definitivamente é Agile. Concordo com meu camarada Diego Pacheco. Basta complementarmos uma série de princípios baseados no comportamento padrão das pessoas (tanto em stand alone como em organizações). Esta é a cereja no topo do bolo (se fosse uns 3 anos atrás era só trocar por Spring ou Hibernate).

Voilá! Temos uma metodologia de desenvolvimento com sex appeal. Com apelo às massas.

É só postar e esperar nossos 15 minutos profetizados por Andy Warhol.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Enquanto a água não baixa do pescoço

Bom, estou aqui no mestrado, até o pescoço com a minha dissertação. Vou relaxar um pouco com algumas divagações. Assim que eu me livrar dessa naba vou escrever algo um pouco mais decente.

No mais, como posso descrever a sensação de se ter chegado ao mestrado... uma realização. Como posso descrever a sensação de ter chegado ao último semestre do mestrado... um terror. Não nasci para escrever textos com mais de cinco laudas.

Até eu escrever alguma coisa que preste na minha proposta, não tenho muita coisa a desenvolver por aqui, portanto vamos para o básico. Crenças:

  • A tentativa de enquadrar a Ciência da Computação no ramo das Ciências Naturais... falhou;
  • A metáfora das demais Engenharias aplicada à Ciência da Computação... também falhou.
Em relação à primeira crença, achei uma base interesante para minhas digressões, talvez não seja novidade para alguns acadêmicos. Vou tentar esclarecer (também pra mim) um pouco este imbróglio, sobre ombros de gigantes, em um segundo momento.

Em relação à segunda, bom esta acredito que seja mais tangível para nós na vanguarda (no sentido "infante"da palavra) da TI. Estamos vivendo um momento onde a Crise de Software que originou a própria Engenharia de Software como disciplina simplesmente não encontrou uma solução definitiva.

Isso mesmo, se construíssemos pontes, elas ruiriam, se construíssemos modelos teóricos (for real) rigorosos talvez ainda não tenhamos conseguido a lâmpada elétrica (sendo que Thomas Edison era um baita 171, vi no History Channel). Certo, não temos o corpo de conhecimento formado tal outras áreas, mas dada a devida proporção talvez pudéssemos ficar tranqüilos.

O problema é que nós somos ourives, ferreiros ou marceneiros (enfim, ponha seu "*smith" aqui). Vivemos do nosso (amado, espero) trabalho e nossos clientes são insaciáveis na demanda por novas ferramentas, novas estruturas, novos mecanismos. Seguindo uma analogia artesanal poderíamos até fazer anéis, braceletes ou pulseiras.

A má notícia é que a confecção da coroa ainda está longe do alcance da maioria de nós. Uma notícia pior ainda: muitos reis querem novas coroas e tantos outros querem manter e melhorar os adornos de suas coroas.

Só conseguiremos atender a novos reis se, com humildade e questionamento constantes (ok, um pouco de competição ajuda muito a azeitar a máquina), resolvermos honestamente melhorar nossa arte.

Aqui vai a notícia péssima. Quem está realmente disposto a encarar o desafio?

Claro que não estou falando da construção da coroa.